Antropologia



Comecei a ter aula de Antropologia agora no segundo semestre da faculdade e como nunca tinha tido, estou achando uma experiência interessante, compartilho aqui um trabalho que fiz com uma colega de sala respondem as questões de um texto de Laplantine "Pensar a Antropologia":

Antropologia é uma ciência que estuda o ser humano em sua sociedade e cultura. A emergência dela como ciência na Europa está relacionada às mudanças nas estruturas da sociedade européia como o surgimento e o crescimento significativo dos centros urbanos, provocada pela Segunda Etapa da Revolução Industrial, tais mudanças levaram uma nova lógica social e o surgimento do burguês (dono do capital - explorador) e o operário (força de trabalho - explorado). Outros fatores como cientificismo, o deslocamento das pessoas do campo para a cidade industrial, revolução/reformas urbanas, a crise de abundância na Europa provocada pelo colonialismo, e a partilha da África foram também  aspectos relevantes. Por consequência destes, surge a necessidade do desenvolvimento de um saber científico que permita explicar e compreender estas novas estruturas sociais e culturais que estão emergindo. Nessa perspectiva,  a colônia passa a ser povoada por imigrantes que são agora administradores e a Antropologia torna-se um estudo ligado a etnografia da sociedade, ao conhecimento das origens, das formas de organização da sociedade partindo de uma perspectiva evolucionista de que uma sociedade primitiva evoluiu de uma forma de organização social e mentalidade da menos complexa para a mais complexa, O nativo nessa  concepção deixa de ser o bom  selvagem e passa a ser visto como primitivo que deve ser estudado e humanizado.
De acordo com Laplantine uma revolução no campo das Ciências/Antropologia põe fim à dualidade observador/objeto,  e a divisão de tarefas que antes era feita entre o observador que na maioria das vezes era o viajante, missionário, administrador que tinha papel subalterno de prover as informações e o pesquisador erudito que permanecia na metrópole, este que tinha função de receber e interpretar os dados. Com a superação dessa dualidade a Antropologia torna-se uma atividade ao ar-livre e o pesquisador sai de seu escritório para vivenciar/compartilhar  a vida íntima daqueles que são vistos não mais somente como fonte de pesquisa, mas também mestres que ensinam e hospedam o pesquisador. O trabalho de campo começa a ser a fonte de pesquisa, o técnico e o observador estão unidos em um só indivíduo, e partir desse momento, o objeto começa a ser a totalidade das  relações sociais e os elementos que a constituem, fazendo com que a Antropologia dedique-se ao estudo das lógicas particulares que são características de cada cultura. O objetivo dessa proposta é alcançar o ser humano em toda sua totalidade, ele passa a ser estudado em sua tripla articulação: social, biológica e psicológica, por meio de uma observação participante, o antropólogo vivencia a cultura estudada por meio de imersão nos costumes, passando a pensar na língua que se está pesquisando, vivenciando portanto aquela realidade.     
O estranhamento antropológico como um recurso metodológico se faz necessário para questionar comportamentos, atitudes consideradas naturais em nossa sociedade, mas que na realidade seria uma questão cultural, nos leva a questionar e observar a nossa volta e comparar a outras sociedades para saber o que é natural ao ser humano e o que é culturalmente construído por nós. Esse estranhamento é necessário para que se possa compreender aquela realidade social como observador olhando com certo distanciamento, que permite que aquele que observa faça uma análise olhando a sociedade de fora. Consequentemente, o conceito de alteridade é imprescindível, quando se trata do “estranhamento” uma vez que em contato com o outro que é diferente, o propósito é identificá-lo, compreendê-lo, valorizá-lo e acima de tudo respeitá-lo em todas as suas dimensões.
Culturalizar aquilo que consideramos “natural” no indivíduo permitirá entender que não somos compostos ou formados apenas por instintos biológicos, mas sim de um contexto social e cultural que estamos inseridos, e assim sendo, podemos compreender melhor o indivíduo a partir do coletivo, visto que suas escolhas, atitudes e comportamentos terão influência da cultura na qual está inserido. Como futuros psicólogos temos como parte essencial de nossa função proteger os direitos humanos e respeitar as individualidades não naturalizando preconceitos sejam eles de ordem de classe, etnia, cor da pele ou gênero, sempre combatendo-os e ajudando a desconstruir uma visão de mundo monocultural e homogênea, atentando sempre para a alteridade e pluralidade que compõe a sociedade e os variados aspectos da vida.
No mundo contemporâneo temos uma  maior pluralidade cultural na qual as culturas se entrelaçam e sofrem influências uma das outras de forma mais rápida e isso torna portanto, mais evidente a ideia de não existir um centro do mundo. A globalização fez com que o mundo se conectasse e as diferentes culturas começaram a ter maior contato umas com as outras, tendo a internet um papel essencial nesse sincretismo, porque o que antes era conhecido somente por viagens e livros e tv, pode agora ser compartilhado com milhões de pessoas ao redor de todo o mundo em questão de segundos. Ademais, a Antropologia deve se atentar  a outros fatores que influenciam as vida nas sociedades contemporâneas como  a assimilação e apropriação de culturas e quais são as consequências disso para os indivíduos que nelas vivem.
Seria errôneo pensar que estamos mais lúcidos, mais conscientes e mais livres como humanidade, pois a ideia  de que exploração e o colonialismo foram superados é equivocada, dado que suas consequências econômicas e sociais ainda podem ser constatadas nos países antes colonizados, como África, Ásia e as Américas. Além disso,  hoje as questões a serem tratadas se modificaram e na contemporaneidade o aumento da xenofobia e do racismo, que tem raízes em toda a história de colonização estão mais visíveis com o advento das redes sociais que são uma espécie de espelho para aquilo que está acontecendo mundialmente e não podem ser ignoradas quando se estudam as coletividades contemporâneas e suas especificidades.

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