Trabalho de Filosofia Antiga


Aqui vai mais um de meus trabalhos da época da Filosofia...


    No livro Metafísica, o filósofo Aristóteles se propõe a buscar as causas primeiras das coisas, ele pretende também descobrir como é possível conhecimento na passagem do particular para o universal, no início da obra o autor afirma que todos os homens tendem ao saber, e se os sentidos forem tomados como objeto do conhecimento é da sensação que parte o conhecimento, ela não permite conhecimento total, mas, é partindo dela que se pode chegar ao conhecimento das causas. Para Aristóteles o corpo recebe duas afecções perceptivas, e é por meio do corpo que a alma percebe, sem o corpo os sensíveis não podem ser conhecidos. A sensação nasce da memória e estes seres em que ela nasce da memória são mais capazes e aptos a aprender, a sensação da visão é preferida em relação às outras em certo sentido, pois ela proporciona mais conhecimento que as outras sensações e mostra as diferenças entre as coisas. Para ele os animais em que as sensações trazem a memória são mais inteligentes e mais aptos a aprender. O gênero humano vive também da arte e de raciocínios, os homens adquirem ciência e arte por meio da experiência. Aristóteles acredita que a realidade deriva das experiências sensíveis, a experiência segundo o autor devirá da memória, é por meio dela que os homens adquirem ciência e arte. “A arte se produz quando, de muitas observações da experiência, forma-se um juízo geral e único passível de ser referido a todos os casos semelhantes.”(981ª, 5) A diferença entre ciência e arte é que a experiência é o conhecimento dos particulares, enquanto a arte é o conhecimento dos universais, mas na teoria, arte sem experiência de nada resolve.



“Por exemplo, o ato de julgar que determinado remédio fez bem a Cálias, que sofria de certa enfermidade, e que também fez bem a Sócrates e a muitos outros indivíduos, é próprio da experiência; ao contrário, o ato de julgar que a todos esses indivíduos, reduzidos à unidade segundo a espécie, que nada padeciam de certa enfermidade, determinado remédio fez bem (por exemplo, aos fleumáticos, aos biliosos e aos febris) é próprio da arte.” (981ª, 8)

A arte é ciência e é capaz de ensinar a outros quem a possui, mas, quem possui somente a experiência não é capaz de ensinar. As sensações são como a experiência, são instrumentos de conhecimento para Aristóteles, mas não dizem o porquê de nada. Ao falar da experiência Aristóteles pressupõe memória, recordação, desse modo, o autor aproximou ciência e arte da experiência, afirmando que se adquire
as duas, ciência e arte pelo mesmo modo, a experiência. As ciências não visam o prazer, nem as necessidades da vida, elas surgiram, segundo o autor, quando os indivíduos se libertaram das ocupações práticas. Ao buscar a ciência que se refere as ciências das causas e princípios primeiros , o autor se refere a sapiência,e sendo assim,ele procura fazer uma definição de sábio.
“Quem tem experiência é considerado mais sábio do que quem possui apenas algum conhecimento sensível: quem tem arte mais do que tem experiência, quem dirige mais do que o trabalhador manual e as ciências teoréticas mais do que as práticas”(982ª,5)

O sábio na concepção aristotélica é aquele que conhece todas as coisas, mas não tem ciência de cada coisa individualmente, ele conhece as coisas mais difíceis, e em cada ciência é mais sábio quem possui maior conhecimento das causas, e também quem é mais capaz de ensinar, a ciência mais sabia é a escolhida em vista do saber, é a ciência superior com relação a que é subordinada, e para Aristóteles o sábio deve comandar. As coisas universais são as mais difíceis de conhecer para os homens por serem as mais distantes das apreensões sensíveis. O fim de todas as ciências é o sumo bem, e a sapiência que é o conhecimento das causas, de tudo que foi dito resulta que o nome do objeto de investigação refere-se a uma única ciência a denominada por Aristóteles como a Metafísica que busca as causas do ser enquanto ser. A metafísica deve especular sobre os princípios primeiros e as causas, pois o bem e o fim das coisas é uma causa. Os primeiros que cultivaram a filosofia, eles fizeram segundo o autor, por causa da admiração das coisas simples que eles não encontravam explicação, os homens filosofam segundo Aristóteles para “libertar-se da ignorância”(982b, 20), e estes buscam conhecimento não só meramente pelas utilidades práticas, mas pelo saber em si.
Aristóteles se distancia de Platão, mas com muito respeito com seu mestre e para isso ele usa um estilo de escrita própria, diferindo-se dele. Aristóteles acredita que os dois mundos estão juntos, contrariando a idéia platônica dos dois mundos, o mundo inteligível em sua concepção esta dentro dos sentidos, e a idéia eterna, pré-existente cria a materialidade. O autor vê um único mundo, em oposição ao modelo platônico, ele tenta então mostrar em linhas gerais como se dá o conhecimento. Aristóteles distingue dois tipos se conhecimento: o conhecimento produtivo que é prático, referente a ação, ele é necessário para a produção de algo, e o conhecimento teorético, que tem por fim opróprio conhecer, o prazer pelo conhecer. Aristóteles distingue os dois tipos de conhecimento pela finalidade.
Na obra Metafísica o autor trata também da questão dos particulares e universais, o universal seria um conjunto e o particular uma unidade desse conjunto, desse modo, a experiência faz referência a um particular, e por meio dela e da técnica chegar-se-á aos universais. Cada particular tem atributos acidentais e essenciais, e para o autor, o mundo é povoado por particulares, não podendo então ser elaborada uma proposição significativa do mundo sem o universal, só com particulares. Os universais para ele são uma ficção, e ela é necessária para poder se predicar sobre o mundo, pois, na maioria das vezes não dá para se produzir conhecimentos só com os particulares. O universal é criado segundo Aristóteles para que se possa predicar sobre o mundo, pois, esse mundo não tem correspondência direta. Na concepção de conhecimento aristotélica, sendo o mundo uma multiplicidade de diferenças, não se produz conhecimento sem universais.
Aristóteles fala do processo de reconhecimento do objeto, ele se dá quando olhamos a essência e comparamos com seu universal e, porque sem o universal não se reconhece o objeto. Abstrair, nessa concepção significa retirar o que é comum entre os objetos e formar a essência. Essa essência é aquilo que dá a identidade ao ser, na produção de conhecimento, sendo que os universais não variam, por isso por meio deles pode-se produzir conhecimento. O conhecimento filosófico acontece por aquilo que se afirma sobre objeto, as proposições predicadas devem ser válidas em qualquer contexto no sistema aristotélico. Segundo essa perspectiva não se produz conhecimento olhando para o mundo, pois, as coisas estão em constante fluxo. O conhecimento produzido é o das essências do universal todo conhecimento que se produz é sobre os objetos, produz-se conceitos universais sobre eles. Na ciência do universal existem atributos que serão reconhecidos no particular, todos os particulares possuem mais atributos que os universais.
Os universais têm realidade – existe neles um correspondente uma essência no mundo, e, por isso, quanto mais caminha-se no caminho da universalização, menor é a quantidade de atributos, os particulares tem muito mais essências que os universais. Diferentemente de Aristóteles para Platão o discurso que se altera é opinião, fluxo, então pouca coisa podemos conhecer sobre o mundo, somente os universais. Na concepção aristotélica o universal não existe concretamente, mas é encontrado no mundo e em seus indivíduos e não separadamente. Passar da experiência para a ciência, é passar do particular para o universal, da experiência passa-se para a técnica e para a ciência. O filósofo tem disposição à sabedoria, nessa concepção aristotélica ele seria um justo que busca sabedoria e conhecimento, esse justo busca conhecimento universalizante e não de particulares ou objetos contextualizados espaço e temporalmente, a filosofia para Aristóteles trata de conhecimentos universalizantes.
A sabedoria se expressa em um tipo de conhecimento, e a sapiência é sabedoria elevada ao nível máximo, sendo a sapiência o objeto de estudo da metafísica. Segundo Aristóteles é dos princípios e causas primeiras que vão decorrer todos os conhecimento produzidos, as imagens e fantasias que serão apreendidas através dos sentidos. A sequência de produção do conhecimento é iniciada pelos sentidos, mediados pela representação, experiência, emperia que é repetição de um mesmo evento e armazenamento, segundo a concepção aristotélica a experiência não passa por um crivo racional, ela não é racional, para ele animais não fazem ciência nem arte, ou seja, não fazem representações sensíveis na memória (experiência). Para Aristóteles a diferença específica do homem para o animal é a racionalidade, o homem produz episteme, e se ele se atentasse apenas nas particularidades não produziria ciência, ao empregar o universal o indivíduo cai num juízo universalizante e técnico. È necessário um juízo universalizante, mas nem todo universal é uma boa escolha para o juízo técnico.

Aristóteles esta buscando na Metafísica as causas primeiras das coisas, porque por meio delas é que se conhece todas as coisas, para o autor o mundo é uma cadeia excessiva de causas, ele define quatro causalidades no mundo: material , eficiente, formal e final. A causa material diz respeito, a do que algo é feito, a causa formal possibilita o reconhecimento do objeto, aquilo que permaneceu o mesmo no objeto a causa eficiente é aquilo ou aquele que faz, que realiza a ação, e a causa final é causa pela qual algo foi feito se trata da finalidade do objeto. Quem conhece as causas pode ensinar, para Aristóteles sábio é aquele que tem conhecimento das causas o autor nomeou a Metafísica de filosofia primeira, pois, para ele se busca conhecimento e se conhece através das causas, e a filosofia vai a procura do conhecimento dessas causas que produzem as coisas, e da capacidade de apreensão das coisas por meio dos sentidos.
Para compreender as coisas, é preciso conhecer as causas primeiras, os princípios regentes das coisas, o autor procura compreensão das coisas sem recorrer aos deuses. Acidentalmente todas as coisas tendem a um fim, a filosofia prática necessita de um fim, por isso, para Aristóteles é necessário saber quais são as primeiras causas operantes e tentar transportar isso para o conhecimento, para o plano discursivo. Aristóteles vai se debruçar sobre a causa formal e discuti-la tratando de Platão, o modelo aristotélico se distancia do platônico, ainda que as quatro causas expliquem a mudança é necessário encontrar algo que permaneça, pois o movimento segundo ele é um problema para o conhecimento, o movimento é uma alternativa para explicar as coisas que estão em transformação, que estão ganhando e perdendo atributos, e Aristóteles constata o movimento no mundo pelas quatro causas, é uma expressão fisicalista do mundo, afirmar o que as coisas são, e porque elas não serão um dia. O ser é dito de múltiplos modos, a causa final pode não se realizar, o processo do devir pode não ser atendido, e também algumas coisas podem acontecer sem que haja um fim para isso. Existe o acaso, mas ele não explica tudo, encontrar uma finalidade e pensar a relação a partir desse fim. Exemplo: O escravo natural não tem logos e nem potencialidade para tanto, a criança tem potencialidade para ter logos e o homem adulto matemático tem logos segundo Aristóteles.
No capítulo terceiro da Metafísica Aristóteles afirma que se não houver as causas primeiras, o conhecimento dado fica como não fundamentado, a causa material para ele é fundamental, pois, sem ela não é possível produzir o objeto. No mundo sublunar todas as coisas possuem materialidade, conhecendo o elemento material das coisas pode-se conhecer como elas funcionam, a materialidade é aquilo que possibilita a transformação no mundo, pois, a forma não se altera. Para o autor os elementos constitutivos das coisas são fogo, ar, terra, água. Na concepção de Terra concêntrica, existe um lugar natural dos corpos e um elemento natural, um movimento natural, Aristtóteles tenta explicar o mundo natural, esta tentando criar regras para este mundo explicativo. A causa material ajuda a explicar o movimento dos corpos, e a causa formal, as formas mostram a essência e ajudam a definir a função é o que faz o objeto ser objeto, a causa eficiente faz com que o objeto entre em movimento, ela é agente, o elemento ativador da mudança, e todas as outras causas dependem da causa final, o que vai determinar a matéria é a forma, é a relação em que ela se encontra. Com os quatro elementos a matéria esta dada como forma, e não existe forma sem matéria no mundo, a Terra é forma, não há nada para Aristóteles constituinte dos quatro corpos, diferentemente de Platão, Aristóteles afirma existir uma distinção entre matéria e forma que vai diminuindo gradualmente. Para ele a matéria indeterminada possibilita encontrar, distinguir, definir a essência das coisas, a forma possibilita conhecer as coisas. A causa final é denominada ato, e aquilo que pode ser transformado em ato é a potência e, só existe potência se houver materialidade, o ato, é a causa final, é essência que é dada pela forma é relação de potência e ato,e a causa final é determinante das demais causas porque esta rege a relação entre ato e potência, e também a causa final rege as outras quatro causas. No mundo sublunar as coisas tem matéria e forma, e no mundo supra lunar existe a metafísica. O ser é, ele existe, é um objeto constituído de matéria e forma. A distinção aristotélica de ser é que, o ser é tudo que é, forma e idéia – ser enquanto ser e suas demais propriedades que são, verdadeiro ou falso, potência e ato, acidentalidade.

O conhecimento para Aristóteles se dá nos universais, a metafísica engloba todas as ciências, e é a ciência do ser enquanto ser, que deve estudar não só o ser, mas também suas demais propriedades. O autor pretende saber se é uma mesma ciência , ou são ciências diferentes que devem estudar a substância e também por exemplo os axiomas que são considerados como óbvios. Aristóteles afirma que essa ciência do filósofo deve estudar os dois, pois, os axiomas valem para todos os seres, o axioma é por natureza indemonstrável e ele pertence a todas as coisas, enquanto elas são seres, então deve estudar os axiomas quem estuda o ser. Aristóteles refere-se a um principio, que é o mais seguro de todos, que se estabelece na ciência do ser enquanto ser, ao autor examina o princípio da não contradição, no princípio da não contradição nada é e não é ao mesmo tempo sob o mesmo aspecto, mas algo pode deixar de ser aquilo que é, ou afirmação é verdadeira, ou sua negação é verdadeira, um discurso tem validade quando é demonstrado, algo não pode ser e não ser ao mesmo tempo, sob o mesmo aspecto pode aplicar-se o principio de não contradição a um universal, para se chegar ao conhecimento, o autor com esse principio contraria os filósofos naturalistas que afirmam que a mesma coisa pode ser e não ser, sob os mesmo aspecto, Aristoteles quer demonstrar que esse é o mais seguro de todos os princípios. 
“Nós, ao contrário, estabelecemos que é impossível que uma coisa, ao mesmo tempo, seja e não seja: e, baseados nessa impossibilidade, mostramos que esse é o mais seguro de todos os princípios”

No silogismo que é a dedução parte do universal para o particular, a indução parte do particular para o universal, ele se caracteriza por ser constituído de duas premissas a partir das quais deduz-se uma conclusão. Exemplo de Silogismo: Todo homem é mortal, Sócrates é homem, logo Sócrates é mortal. A ciência procede através do método indutivo, pois, é mais eficiente quem conhece o particular do que o universal, e na passagem da experiência para a técnica, há possibilidade do erro. Aristóteles fala do motor imóvel, esse algo imóvel que é movente, move as coisas, não precisa de um deus criador, ele não recorre aos deuses para explicar nada, o que há de divino no homem é o intelecto, um dos intelectos do homem é deus. Isso teve profundas raízes na cultura e filosofia européia que é grega e aristotélica. O ser é dito de múltiplos modos, com essa afirmação ele pretende rechaçar o platonismo e seus predecessores, pois, seu sistema, o aristotelismo afirma o objeto e o ser de múltiplos modos.  


Referências:
ARISTÓTELES, Metafísica. Ensaio Introdutório, texto grego com tradução e comentário de Giovanni Reale, Edições Loyola, São Paulo, Brasil, 2002.
Http: ∕∕ plato.stanford.edu∕entries∕ aristotle – metaphysics∕

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